Recentemente tive a oportunidade de orientar um trabalho de pós graduação da minha querida aluna Sara intitulado: ”Os efeitos nocivos que o formaldeído causa na saúde dos profissionais de salões de beleza”, onde a acadêmica trouxe para a sociedade a importância do cuidado, da humanização e da informação para o profissional da beleza.
Nas aulas que ministrei durante esses oito anos, pude me aprofundar no estudo dos alisantes químicos. Hoje vou falar um pouco sobre o formol ou queratina brasileira e seus efeitos.
Desenvolvida no Brasil no ano de 2003 na cidade do Rio de Janeiro, a mistura de formol e hidratantes com a finalidade de alisamento tomou proporções estrondosas. Essa mistura empírica tinha a concentração em torno de 37% de formol e era passada nos cabelos afros para o alinhamento dos fios, podendo ser utilizada em cabelos com tintas e luzes.
Muito discutido no meio acadêmico, os malefícios do formol são inegáveis. O simples “encapamento” do fio acarreta em perda da eficiência dos processos de hidratação, já que os mesmos não conseguem entrar no cabelo, podendo causar ressecamento da haste, quebras, enfraquecimento, queimaduras de couro cabeludo e edema de glote. Além disso, a inalação indiscriminada e continua do formol pode resultar em efeitos severos, tais como abortos e até mesmo o óbito dos profissionais que o utilizam.
Mendes (2018) realizou um estudo onde mediu através de exame toxicológico a quantidade de formol em amostras biológicas dos profissionais cabelereiros. Os resultados apontam vestígios de formol na urina dos avaliados, trazendo o alerta sobre os perigos da exposição direta, principalmente pelas vias respiratórias.
Coutinho (2017) em seu amplo estudo constatou que 60% dos cabelereiros voluntários que participaram das entrevistas apresentaram algum sinal ou sintoma de intoxicação por formol.
O formol na concentração de alisante é proibido no Brasil, porém infelizmente ainda é extremante utilizado devido ao baixo custo e alta compatibilidade. Glutaraldeido e substâncias que liberam formol como o ácido glioxilico e a carbocisteina também são utilizadas e assim como o formol trazem malefícios a saúde dos clientes e principalmente dos profissionais.
Acredito que o cabelereiro deve ser criterioso na escolha dos alisantes, observando atentamente os rótulos (que na maioria das vezes não consta os verdadeiros princípios ativos do produto), e analisando os sintomas de boca seca e ardência nos olhos quando faz-se o alisamento.
Lembre-se: informação e formação são dois mundos diferentes. A informação é o que ouvimos e lemos de formadores de opiniões. Formação é conceito técnico e cientifico baseado em experimentos e ensaios de anos de estudo, onde profissionais e pesquisadores agregam seus conhecimentos para levar saúde e bem estar a população.
Fique atento aos sintomas.
Att.
